Crítica - American Gods

Sinopse
O drama é centrado em uma guerra entre os velhos e os novos deuses. Os seres bíblicos e mitológicos estão perdendo cada vez mais fiéis para novos deuses, que refletem o amor da sociedade por dinheiro, tecnologia, celebridades e drogas. Shadow Moon é um ex-vigarista que agora serve como segurança e companheiro de viagem para o Sr. Wednesday, um homem fraudulento que é, na verdade, um dos velhos deuses, e está na Terra em uma missão: reunir forças para lutar contra as novas entidades.
Produção
Produtor(es) executivo(s): Bryan Fuller, Michael Green, Neil Gaiman, Craig Cegielski, Stefanie Berk, Thom Beers.
Elenco: Ricky Whittle, Ian McShane, Emily Browning.
Atenção: O conteudo a seguir pode conter spoiler.
Crítica
American Gods, foi chegou no melhor momento possível para fazer sucesso, pois a série abordas assuntos presentes no cotidiano atual, não que ela não seja boa, pelo contrario, ela é ótima, mesmo sendo inspirada em um livro de 2001, ela é totalmente atual.
O que mais ajudou essa obra de Neil Gaiman a fazer sucesso foi o fato de ter sido dirigida por David Slade, que dirigiu também Hannibal, praticamente todas as cenas tem um toque marcante, além de fazer você ficar pensando um bom tempo nos reviravoltas da série, além de ficar tentando descobrir quem é tal deus ou se um personagem é ou não deus.
É uma simbologia extrema, com deuses novos e antigos lutando de lados opostos em uma iminente guerra pela adoração do público cada vez mais distante dos ídolos “originais” e fixados em alguns novos (como a mídia e o  technical boy) ou outros nem tão novos, como a luxúria. No meio deste caminho, Shadow Moon um ex-presidiário, que sai da prisão mais cedo pelo fato de sua esposa ter morrido em um acidente de carro o traindo com seu melhor amigo, esse cara absolutamente comum, que por algum motivo que lhe foge à compreensão, se vê no meio desta disputa com algum papel essencial.
A abstração da história é refletida de maneira quase didática nas escolhas da direção de arte, através do uso propositalmente exagerado das cores e contrastes, para realmente ficar marcado na mente, como eu já avia comentado, a pegada filosófica da série também ajuda a marcar bastante.
O ponto certeiro do roteiro é criar uma atmosfera de surrealismo em tudo, menos em Shadow. O personagem é o ponto de identificação entre o público e uma história que faz mais perguntas do que entrega respostas. O ex-presidiário está o tempo todo perdido e incrédulo com as coisas fantásticas que se desenrolam naturalmente a sua volta. Shadow questiona a própria sanidade várias vezes, como seria natural, em sua jornada pessoal ainda não tão bem explicada que passa por aceitar o poder do sobrenatural.
Outra sacada genial da série foi o Mr. Wednesday, que no caso é Odin, que tem um papel de digamos "pai" para Shadow Moon, além do fato de só sabermos que ele é Odin no final da série.
Deuses Americanos encerra seu primeiro ano sem perder o fôlego ou se tornar minimamente previsível. A temporada inicial mostra Wednesday em sua jornada para reunir o máximo possível de deuses antigos que entrem em sua luta contra os novos. No meio do caminho, a coisa vai ganhando complexidade com a descoberta de que a coisa não é tão dicotômica assim: alguns dos deuses antigos se adaptaram para sobreviver nos tempos modernos e ganham, de certo modo, uma roupagem moderna. Em sua última incursão da temporada, Wednesday e Shadow vão atrás de Ostara, divindade pagã relacionada às celebrações durante o equinócio de primavera que se tornou associada à Pascoa no mundo moderno.
A série foi renovada para a segunda temporada logo após sua estreia: Deuses Americanos acerta na premissa e na execução.
Nota: 9,4

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